quinta-feira, 27 de abril de 2023

A Saúde e o Preconceito

Houve um tempo em que a magreza era sinônimo de beleza, em que quanto mais magra a pessoa era mais bela ela era vista. Em nome disso muitas mulheres e meninas buscavam incessantemente o corpo ideal, um corpo delgado, mais um corpo em que muitas nunca se contentavam. Toda a magreza que conseguiam não era o suficiente e sempre se achavam "gordas", fora dos padrões de beleza da época. Não digo que problemas com anorexia e bulimia deixaram de existir, todavia é bem verdade que já não se fala nesses assuntos com tanta ênfase como se falava em tempos passados. 

Hoje o que se busca é a chamada "aceitação", tudo deve ser aceito e respeitado. Ai de quem ousar falar qualquer coisa sobre os padrões de corpos. Tão logo será taxado de preconceituoso. Tudo bem que devemos respeitar as pessoas e seus fenótipos, até mesmo porque não é nada educado caçoar e ofender as pessoas pela forma que se apresentam os seus corpos. Entretanto não se pode ser visto como bom conselho não alertar as pessoas quando se percebe que algo não está em conformidade com uma vida saudável e que pode trazer sérios riscos. Alertas e conselhos jamais devem ser tratados como intimidações, preconceitos ou ofensas.

É necessário que as pessoas se conscientizem sobre a sua própria saúde e que enxerguem claramente que romantizar problemas como a obesidade, que inclusive é vista como doença pela Organização Mundial da Saúde, não ajudará em nada a confortar as pessoas que passam por esse problema. É claro que a subnutrição, a anemia, a bulimia e a anorexia também não devem ser romantizadas. Contudo se faz necessário a conformidade que tratam-se de problemas sérios de saúde que afetam a qualidade de vida do ser humano. Pessoas que sofrem com o sobrepeso e a obesidade tendem a correr maior risco com problemas cardiorrespiratórios, doenças cardíacas, pressão alta e também tendem a se sentir cansadas com maior facilidade, entre outros problemas podem vir a enfrentar ou ficarem mais susceptíveis, tais como diabetes e colesterol.

É evidente que as pessoas precisam ser respeitadas e serem tratadas educadamente. Porém, não se pode deixar de modo algum o ímpeto por motivá-las à prática regular de exercícios físicos, ao equilíbrio nas refeições, a entender se existe nelas alguma ansiedade ou angustia que provoca nelas um descontrole na hora das refeições ou mesmo algum distúrbio ou problema de saúde associado. Para isso, a melhor forma de respeitar essas pessoas é motivá-las ao correto acompanhamento médico ao invés de romantizar problemas sérios de saúde. Respeitar a pessoa como ela é não significa se conformar com o estado em que ela está, mas sim entender a dificuldade pela qual ela passa e corretamente instruí-la para que faça as melhoras escolhas para que assim ela possa ter melhor qualidade de vida.

Aceitar alguém como ela é não impede em aconselhá-la quando se nota que é possível melhorar a qualidade de vida daquela pessoa e procurar sempre prezar pela sua saúde. Acompanhamento médico é essencial e os profissionais não devem ser censurados em suas prescrições pelo chamado "politicamente correto". Portanto, vamos nos respeitar da forma que somos, contudo não esqueçamos que o mais importante é prezar pela saúde e pela qualidade de vida.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Livros para a Vida Inteira

 A quem diga que o meio digital irá acabar com os livros impressos, uma vez que parece bem mais práticos os livros eletrônicos, os arquivos na nuvem, os documentos em pdf, os livros que podem ser acessados em qualquer dispositivo eletrônico em qualquer lugar do mundo, seja no celular, seja em tablets ou computadores. Tudo parece tão simples, sem necessidade de pilhas de papeis impressos, ocupando espaços em prateleiras ou fazendo volumes para serem carregados de um canto a outro. Há ainda quem apele à consciência ecológica, a manutenção de árvores em pé, a redução de papel e celulose e demais materiais que por ventura venham a ser descartados em lixeiras e ocupando espaço em aterros sanitários. Mas no fundo será que seria conveniente abandonar definitivamente os livros impressos?

Possivelmente o primeiro argumento para quem quiser se opor a extinção dos livros impressos seja a questão da empregabilidade, pois livros digitais poderiam facilmente aumentar o contingente de desempregados, por afetar tarefas em gráficas e editoras. Livros impressos ainda impactam trabalhos indiretos em outras áreas, como bancas de revistas, livrarias, lojas e até mesmo serviços de transporte. No entanto, isso por si só não seria o maior problema. Livros em si não deixam de ser documentos, são como arquivos, e os meios virtuais não são completamente seguros. Muitos foram os episódios de livros e bibliotecas ao longo da história, como se pode recordar da grande biblioteca de Alexandria e do episódio de queima de livros por parte dos nazistas tempos antes da Segunda Guerra Mundial. Arquivos quando estão somente em meios virtuais são susceptíveis a perdas e danos. É comum que alunos precavidos gerem inúmeras cópias de seus trabalhos, arquivos e documentos e os guarde em inúmeros dispositivos (computadores, discos rígidos, incluindo pendrives e CDs; nuvem e mais antigamente em disquetes, quiçá até em e-mails como subterfúgio de proteção a manutenção do documento). Entretanto, se o arquivo for perdido e esquecido de ser salvo em outro dispositivo ou ainda o documento ficar a disposição de um ente qualquer que possa ter acesso a todos os meios virtuais em que ele esteja disponível, a susceptibilidade de perda do documento, se assim for da vontade desse ente, se torna algo bem possível e de recuperação difícil de ser alcançado.

Mas para além disso, ainda há algumas comodidades dos livros impressos. Há quem não suporte passar horas e horas a ler livros ou mesmo documentos longos (como artigos por exemplo) por meio de uma tela de computador ou celular, ficando a todo instante submetido àquela luz irradiante sobre seu rosto, ou que se sinta cansado com leituras longos por meio de dispositivos eletrônicos, mesmo que eles estejam em modo de tela escura. Para alguns, a tela escura pode despertar sonolência, enquanto que para outros telas claras despertem cansaço na visão. Livros impressos permitem marcações com maior facilidade, uso de marcadores se tornam mais acessíveis, páginas podem ser dobradas e desdobradas, pode-se usar as chamadas "orelhas de burro", as leituras podem ser em qualquer lugar sem a necessidade de um carregador e uma tomada de energia elétrica. Livros impressos podem ser lidos até mesmo a beira-mar sem o risco da maresia. Com uma caneta marca texto, trecho podem ser identificados, embora seja possível marcações de destaque de texto em arquivos de pdf, a destreza da mão livre só é possível em materiais impressos. Livros impressos não correm riscos de falta de energia elétrica, não sofrem com raios e sobrecargas de redes elétricas, não correm riscos de haquers e adulteração de conteúdo em meios virtuais, sobretudo distantes e são acessíveis em qualquer lugar. Livros impressos espalhados pelo mundo não podem ser eliminados com apenas um clique e ainda podem guardar lugares chamados de "relíquias" em bibliotecas que guardam arquivos acessíveis e disponíveis a todos visitantes passe o tempo que passar, convidando o leitor a um passeio, em um ambiente tranquilo, de concentração e dedicação a uma profunda imersão no conteúdo do livro, do conhecimento em livros técnicos e científicos ou de admiração, inspiração e prazer pelos livros literários.

Celulares são versáteis, a pessoa o carrega para todo lugar que vai, e está acessível a muitos, dificilmente há quem não o tenha. Mas a verdade é que ainda são muitas as pessoas no mundo sem acesso a internet e sem tais dispositivos. Celulares são mais caros que livros impressos e em diversos cantos há as bibliotecas públicas acessíveis a toda a população, inclusive aos mais carentes. Celulares são alvos preferenciais de furtos, roubos e assaltos. É sempre necessário tomar muito cuidado, principalmente quanto mais caros forem. Livros impressos dificilmente costumam ser alvos de roubos. Em se tratando de questões ecológicas, livros não carregam em si lixo eletrônico ou metais pesados que demandem cuidados especiais na hora de descarte e tampouco livros foram feitos para serem descartados. Pessoas não costumam comprar livros para tão logo substituírem por aqueles que são mais avançados e atualizados, embora existam exceções. Papéis são reciclados e as páginas amareladas contam a história dos tempos, não só no conteúdo escrito, mas nas formas, aspectos físicos, como texturas e colorações, que remontam hábitos e costumes de épocas, por vezes remotas e que recriam tanto um imaginário histórico quando uma realidade há algum tempo vivida. Embora livros ocupem espaço, eles não ocupam memória, a não ser a da história.

Dispositivos eletrônicos trazem comodidade, versatilidade e oportunidade de reunir tudo em dispositivos por ora minúsculos que ocupam espaços exíguos, mas onde queira estar, por mais isolado que seja o lugar, sempre haverá como na presença de um livro estar, para entreter-se e aprender pela vida inteira.

sábado, 5 de março de 2022

O Ser "in natura"

É tão comum atualmente vermos o ser humano tão tecnológico, tão avançado, tão prestativo aos avanços científicos, tão urbanizado, tanto que por vezes o enxergamos como um ser destinado ao progresso que o torna distante daquilo que lembra a natureza de demais seres vivos. Nos últimos tempos, após dominar todos os cantos do planeta, estar em todos os continentes e até mesmo nos polos e na órbita terrestre, seu anseio é "navegar" em outros "mundos", a Lua, Marte e além. O questionamento que fica é se será que o ser humano artificializa sua existência em vista do progresso, ou no fundo há nele uma tendência que o faz, mesmo que instintivamente, retornar ao natural? Ou ainda se existe um processo natural em sua existência, aquilo que chamaríamos da natureza humana?

O célebre filósofo inglês Thomas Hobbes dizia o homem ser o lobo do homem, de modo a descrever a natureza do homem como perversa, uma natureza egoísta. Paulo em sua carta aos romanos afirmava: "não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero". Assim, tanto Hobbes quanto Paulo apontam para uma natureza má no ser humano, tentada ao pecado e a perversão. É possível que a melhor explicação para isso seja sua própria sobrevivência e a sobrevivência de suas próximas gerações.

Porém, no fundo o ser humano tende a se compadecer de seus semelhantes, criar consciência e adotar atitudes que amenizam o sofrimento alheio. Os melhores exemplos disso são a solidariedade e a capacidade dele ser caridoso com o seu próximo, principalmente em momentos muito emergentes, como em situações de grandes desastres naturais ou após a reconstrução de vidas que superaram momentos emblemáticos de grandes conflitos ou mesmo uma guerra. A capacidade que o ser humano tem de se sensibilizar com as dificuldades com as dores do outro serve como um amenização de uma natureza tendenciosa a maldade humana.

Rousseau dizia que o homem tinha um estado de natureza, uma vida essencialmente animal, moldada pelo ambiente. No entanto, diferente dos demais animais, o homem aprendeu a viver em civilização, com normas regidas por uma sociedade. Muitas das normas fogem a natureza humana e tendem a artificializar a conduta humana, por eles não vivem exatamente como a sua natureza o permite viver, mas vivem de acordo com uma conduta que é considerada a melhor dentro de uma sociedade, de uma realidade e um contexto. Tudo que ele cria é uma recriação da natureza, um aproveitar-se dela e, por vezes, modificar a sua essência, acelerando processos ou copiando o que há na natureza, usando ferramentas disponíveis por sua ciência para aprimorar as próprias experiências da vida humana. Porém, mexer com a natureza humana muitas vezes é uma tarefa delicada porque implica mexer com a realidade de cada um. 

É natural que em um ecossistema tudo tende a entrar em equilíbrio, de modo que os desequilíbrios tendem a se ajustar com o passar do tempo e os recursos naturais e seres vivos dele cumprem funções naturais que se ajustam e causam aquilo que compreendemos por equilíbrio ecológico. O ser humano funciona da mesma forma, ele possui uma essência natural, é comum ele querer ser livre, seguir sua vida e não se satisfazer tanto em seguir tantas regras. Ele é naturalmente um ser sociável e seu organismo possuí necessidades fisiológicas e sanitárias naturais. Deste modo, simplesmente impor um isolamento completo dele, ainda que seja para o seu bem, e esperar que nada de mau irá afetá-lo é certamente um pensamento demagogo, pois atua contra a própria condição natural humana. Da mesma forma, não se pode desprezar que o próprio organismo humano possui proteções naturais contra diversas intempéries, poluentes, contaminantes e agentes patológicos do meio em que vive, embora a existência de medicamentos e vacinas manipuladas pelo homem contribua para melhorar a sua capacidade natural de sobrevivência.

Assim, entender as inquietudes humanas implica em não menosprezar a sua própria natureza, afinal, é sempre tendencioso que o ser humano retorne ao contato com o meio ambiente e experimente mais daquilo que é natural, como o ar puro, a brisa suave, o contato com a vegetação, os lagos, rios, mares e areia da praia, e deixe de lado, nem que seja por um instante, aquilo que é fruto de sua própria manipulação.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Ser Humano, Um Ser Insaciável

              Há quem diga que o ser humano é frágil, é fraco, que muito erra, que é limitado. Há quem diga que ele é mau por natureza, ou que sua essência seja boa, ou ainda que sua essência seja boa embora seja tentado a sua fraqueza e seja estragado pelo que há de mau. No fundo, o ser humano é uma ser inconstante.

              De fato o ser humano é um ser incompleto, um ser que nunca se satisfaz. Um ser que quando satisfeito se acomoda, mas que no fundo isso o incomoda, pois vê sua vida dinâmica. Se na vida tudo passa e tudo se transforma, por que ficar sempre preso ao mesmo lugar, às mesmas vontades ou aos mesmos modos de vida?

              No fundo, o ser humano está sempre se inventando e reinventando e seu espírito aventureiro sempre o coloca na posição de explorador. Quando o ser humano atingiu a civilização no mundo ocidental, em especial na Europa, isso por si no início bastava e tão logo não era mais o suficiente. Necessário era desbravar e conquistar novos territórios do continente e mesmo os conquistando isso já não satisfazia o anseio humano. Sua insatisfação o levou a navegar novos mares e alcançar o Novo Mundo. E quando dominou o Novo Mundo em seguida não mais o satisfazia. Era necessário desbravar o Novíssimo Mundo. Mas o Novíssimo Mundo passou a ser ultrapassado, agora o encantar está fora do planeta.

              Em sua ânsia, o ser humano alcançou a Lua, que já não mais o basta. Vieram satélites, um mundo novo a ser descoberto. Marte é a nova parada, o novo lar da colonização humana. Satélites já alcançaram os limites do Sistema Solar e certamente irão além. E além irá a humanidade.

              O que isso ajuda é entender a inconsistência humana. Cada ser humano é algo em particular, algo que o distingue de todos os demais seres humanos. Para adotar uma mesma regra e um mesmo ponto de vista para todos seguirem é algo complexo, tortuoso. Nem todos os seres humanos gostam de se submeter a medidas que limitem sua liberdade, ou sua capacidade de inovar, ou seguir regras que o limite, que o distancie de seus planos, seus objetivos, seus entretenimentos, seus gostos. Limitar um ser humano a um espaço não é uma tarefa simples, alguns se sujeitam, outros não. Alguns entendem, outros concordam, outros cumprem não concordando enquanto muitos descumprem mesmo concordando. 

              Mas no fundo seres humanos são movidos por seus medos, temores esses que são diversos e que podem muitas vezes estar em pontos distintos. Alguns podem temer a fome, enquanto outros o desemprego, ou pela própria vida ou a saúde. Alguns temem pelos outros e outros por si mesmos. Porém, todo anseio é de difícil controle e se aguda o descontrole quando o anseio se imiscui aos medos.

              O ser humano não é sempre conivente ao convencionado correto. Ele se desvirtua, se entrega a seus prazeres mesmo ciente de seus riscos. Mas a essência humana se respalda em riscos, riscos por ora inconsequentes, riscos que quando transgredidos podem incutir em problemas ou em soluções não esperadas. O ser humano sente, necessita, arrisca-se, explora, acomoda-se ou não se satisfaz. Enfim, o ser humano é sempre um ser incompleto, que por mais que vise a sua completude nunca a alcança e por vezes não admite que alguém interfira ou limite sua busca insaciável e inatingível de sua satisfação sempre incompleta.           

terça-feira, 2 de março de 2021

6 ou 9

Opiniões dissonantes: defender fortemente as próprias convicções ou ser crítico a elas? Criticar os próprios argumentos e arte da autocrítica não é algo simples, ao menos para muitas pessoas. O grande problema atual das críticas são os ataques que são frequentemente feitos àqueles que expressão opiniões sobre o assunto e não ao assunto em si, algo que será sensato e esperado. É muito comum ver em redes sociais e mesmo em embates pessoais, frente a frente sobre um assunto, pessoas se exaltarem com seus antagônicos de opiniões e deixarem de lado o assunto para partir direto para os discursos de ataque à pessoa, usando termos ofensivos e por vezes até de baixo calão. Achismos, induções, falsas acusações, más interpretações e boatos se tornam altamente comuns em um ambiente tóxico ao debate e ao confronto de ideias. Posições fanáticas, que não se abrem a críticas e modos distintos de enxergar resoluções ao mesmo problema, alienações da conduta e forma de pensar, a manipular de informações e notícias, a criação de narrativas com finalidade indutiva de formar opiniões, a forma ortodoxa de enxergar soluções somente em uma linha de ação, a base muito bem pautada no senso comum e a omissão de casos adversos e que repercute negativamente para o nosso ponto de vista sobre qualquer assunto que seja são muitos impeditivos que nos proíbe que fazer reflexões e autocríticas.

A saída do grande enigma de saber se é 6 ou 9 pode se no diálogo, nas reuniões, na capacidade de ouvir, na capacidade de "colocar todas as cartas sobre a mesa". Grandes desafios da ciência e da engenharia são resolvidos na base de discussões entre profissionais e especialistas, cada qual defendendo seus argumentos com todos os atributos que lhes cabe. Certamente, ao fim de tudo, quando se reina o bom senso, as análises de todos os pormenores, riscos e oportunidades, visa-se acatar a melhor proposta ou a que seja menos danosa. Mas se nenhum deles se abrir as propostas alheias, não haverá um senso comum, nada de produtivo será acatado e os problemas continuarão sem solução. Medidas, opiniões, argumentos e arguições devem ser acompanhadas à medida que são implantadas. Cabe as pessoas observarem a forma de pensam sobre um assunto específico e estudar o como ele realiza, como se encaixa no funcionamento das coisas, compreender o porquê o outro pensa diferente, compreender experiências diversas, olhar para uma posição crítica a sua e procurar sempre o equilíbrio e não a arrogância. Reconhecer nossas falhas e as formas diferentes de pensar diferentes soluções, monitorar cada uma delas e verificar se elas satisfazem ou não. Não adianta persistir em uma mesma visão ou solução de um problema se ele não entrega aquilo que se quer. Como Einstein dizia: "Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual". Por oras é necessário refletir e olhar profundamente sobre nossas convicções e ver se os resultados que dela esperamos fazem sentido mesmo ou apenas demonstram nossa própria intransigência de dialogar com o diferente.

Pensar em como o outro pensa e tentar entender o porquê dele enxergar 6 onde enxergamos 9 ou de enxergar 9 onde enxergamos 6 deveria ser visto como algo valioso, quiçá ambos estejam certo dentro de uma perspectiva diferente de ver o mesmo problema. O consenso nesse caso poderia ser abrandado a uma postura intermediária, que amenize problemas e otimize soluções, mas se não há cooperação de todos, então o diálogo se torna desnecessário e todas as críticas são meramente destrutivas, criando mais caos, incertezas, intrigas, confusões e divisões. Enfim, para haver consenso é necessário deixarmos de lado pressupostos, nos abrirmos ao diálogo e entender o contraditório, nos atendo sendo ao argumento contraditório e não ao argumentador do contraditório. 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Entre a tecnologia e a "dor"

Desastres naturais ou provocados pelo são constantes, de tempos em tempos vemos notícias ou estudamos sobre acontecimentos trágicos, como guerras, terremotos, enchentes, enxurradas, doenças, grandes incêndios, explosões, desabamentos de construções, represas e terras, acidentes com furacões, erupções vulcânicas e os mais diversos acidentes automobilísticos, aéreos e navais. Além dos mencionados, muitas outras situações trágicas podem ocorrer, mas o que mais surpreende é que situações assim servem para despertar na humanidade uma certa "revolução", ou seja, a necessidade de resolver problemas emergentes contribui para impulsionar a adaptação e "evolução" do próprio ser humano.

Há um consenso que na pré-história o ser humano era nômade, vivia basicamente da caça, pesca e coleta de alimentos vegetais (frutos, raízes e folhas). A partir do momento que ele aprendeu a cultivar a terra, houve uma primeira revolução do seu modo de vida, permitindo se fixar sobre uma área de terra. Quando ele aprendeu a domesticar animais houve uma nova evolução, permitindo substituir a caça pelo controle da criação de animais, reforçando um estilo mais sedentário de vida. Os primeiros seres humanos não costumavam fazer reserva de alimentos, eles basicamente cultivavam e preparavam a quantidade para consumo imediato, no entanto, em períodos de seca ou atingidos por outros desastres naturais representava uma ameaça a essas comunidade de seres humanos pela dificuldade em se obter alimentos. A partir daí surge a necessidade de reservar alimentos para poder suprir momentos mais difíceis para a agricultura, pesca ou mesmo criação de animais.

Outra situação que pode obrigar os seres humanos a mudar seu estilo de vida com a relação a mudanças ambientais e acontecimentos inesperados se relaciona com as vestimentas. Em tempos mais frios e com temperaturas muito baixas, a ponto inclusive de nevar, contribui por criar a necessidade no homem de manter uma temperatura confortável em seu corpo e evitar sofrer de uma possível hipotermia que o pode levar a morte. Assim, em tempos mais frios o ser humano precisou desenvolver vestimentas mais grossas e pesadas, muitas feitas com peles e couros de animais. Em tempos mais quentes o ser humano teve que desenvolver roupas mais leves e aprendeu a desenvolvê-las inicialmente a partir de fibras vegetais, tais como o linho e o algodão. Atualmente muitas das roupas são feitas por meio de materiais sintéticos, como a poliamida.

Guerras também contribuem e muito para a evolução tecnológica. Com o desenvolvimento da indústria bélica para alcançar uma superioridade tecnológica em relação ao inimigo para vencer mais facilmente uma guerras, não somente tecnologias ligadas a armamentos evoluem, mas também o desenvolvimento de novos materiais, como exemplo da grande quantidade de materiais poliméricos sintéticos que foram desenvolvidas na Segunda Guerra Mundial ou as tecnologias ligadas a meios de transporte, como veículos terrestres, avanços na indústria naval e aeronáutica. O evento da Guerra Fria propiciou a aceleração da corrida espacial, com uma disputa contínua entre soviéticos e norte-americanos para demonstrar quem detinha maior poder na indústria aeroespacial, propiciando assim acontecimentos históricos como a colocada do primeiro ser humano no espaço (a cadelinha Laika pelos soviéticos em 1957), o primeiro homem a orbitar a Terra (o soviético Yuri Gagarin em 1961) e finalmente o primeiro homem a pisar a Lua (o norte-americano Neil Armstrong em 1969).

Grandes epidemias e pandemias também podem servir como gatilhos para o avanço tecnológico, por meio delas a indústria farmacêutica se desenvolve, novos medicamentos, soros, tratamentos e vacinas, inclusive usando novas tecnologias, encurtando prazos e acelerando estudos. Pesquisas são desenvolvidas e equipamentos modernos e novos são impulsionados pela necessidade de desenvolvimento. Com a pandemia atual já há cientistas e pesquisadores que traçam estratégias antevendo futuras pandemias e aprendendo com os erros e acertos a ver o que necessita ser desenvolvido e aprimorado e como fazer para se antever e preparar-se para o que virá. Assim, guerras fomentam o desenvolvimento de novas tecnologias empregadas em armamentos, mas que podem ser desviadas para outras finalidades mais pacíficas, como a energia nuclear e novos materiais; desastres naturais podem forçar o ser humano a aplicar novas formas de manipular o espaço em que vive, como construções de diques e barreiras de contenção ou ainda aprimorar as técnicas de manejo do solo para evitar erosões pluviais ou empobrecimento do solo e grandes enfermidades podem acelerar a medicina ao encontro de soluções mais efetivas para dificuldades emergentes.

sábado, 22 de agosto de 2020

Menos ou mais?

             Atualmente muito se lembra daquela frase "menos é mais", usada para justificar o uso menor de um recurso para obter melhores resultados: menos luz acessa, mais economia de energia; menos embalagens, mais preocupação ambiental; menos lavagem de calçadas e carros, mais economia de água, menos carros circulando nas vias, mais aumenta a qualidade de ar devido a emissão de menos gases poluentes; menos pessoas em um lugar, mais silêncio, etc. Parece que vivemos realmente em um mundo de exageros, em um mundo perdulário e que visa à redução de disso tudo. Economia é arte de administrar o escasso, aquilo que é necessário ser controlado para evitar a falta, o desperdício e o prejuízo. Contudo o "menos" demais pode acarretar a falta, que por fim pode não trazer bons resultados. Sabemos que comer além do necessário é danoso a saúde porque pode levar ao sobrepeso e à obesidade e, por conseguinte, às doenças e complicações decorrentes deles. Por outro lado, a falta da alimentação adequada também gera prejuízos à saúde, como desnutrição, anemia e outras doenças decorrentes da carência dos nutrientes necessários ao organismo. Assim também poderia ser ao projetar a embalagem para os produtos, uma vez que a falta de uma embalagem adequada e mínima o suficiente para manter o produto em condições seguras levaria a sua perda.
             Em diversas situações cotidianas nos deparamos com essas situações, faltas e excessos acarretam resultados que por ora não são benéficos. Aristóteles costuma dizer que a virtude do bem viver está no meio termo e nos extremos estão os vícios. A virtude assim seria a moderação, a ponderação e o equilíbrio. Quando há um desequilíbrio nas decisões da vida é comum ver o oposto como uma solução: para o que há de mais o menos é agradável, para o que há de menos é melhor pensar no mais. Dificilmente alguém vive uma vida em equilíbrio por completo, sempre estamos sujeitos aos vícios, sejam eles a falta, sejam eles os excessos. A susceptibilidade diante da qual se encontram os indivíduos os tornam vulneráveis aos seus vícios e faltas e, portanto, a defesa de medidas extremas. Quanto mais se caminha a um extremo, mais se distância de um ponto de equilíbrio e, assim, com maior nobreza poderá ser visto o "menos" ou o "mais", porque o menos torna o indivíduo mais próximo da melhor decisão da mesma forma que o mais o torna menos distante dela. Um exemplo poderia ser a política, pois pode-se escolher entre direita e esquerda e quanto mais se defende uma posição frente a outra maior será a chance de se perder um referencial de equilíbrio e refletir se algo do oposto pode ou não ser aproveitado, avaliado ou mesmo reformulado, ou ainda, entregar-se a um reducionismo de mundo que se encaminha a um fanatismo ideológico.
             A moderação e o equilíbrio pode conduzir o indivíduo a racionalização, algo que pode ser aplicado de modo prático. Em uma linha de produção se deve ter em mente que um produto deve sempre satisfazer todas as expectativas da qualidade, em especial funcionalidade, segurança e durabilidade, por isso certas economias devem ser muito bem pensadas. Contudo uma empresa não pensa somente na qualidade de seus produtos, mais também no custo para fabricá-lo e no lucro obtido sobre sua venda, o que para ela os excessos para adquirir a boa qualidade não são bem vindos, pois geram desperdícios e perdem. Conciliar qualidade e custos gera lucro, gera bons resultados. Na vida, é comum decisões sempre gerarem consequências más e a redução destas más consequências está na racionalização das decisões. Racionalizar uma decisão e agir com moderação por vezes não é uma decisão simples, merece esforço, discussões, estudos, avaliação de riscos, gravidades e magnitudes e mesmo assim ela não será perfeita. Portanto, de acordo com a situação real há uma avaliação daquilo que será melhor: mais ou menos.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Solidariedade

           Ser solidário é uma forma de compreender a necessidade alheia, algo que deveria ser feito por qualquer um para ajudar ao próximo, mas não precisa ser algo muito grandioso, muitas vezes a solidariedade se faz presente em pequenos gestos, sem que necessariamente ele precise resultar em um bem material, a solidariedade pode estar em gestos, atitudes e colaborações. Vejamos algumas atitudes simples:
1. Passar uma informação a alguém que necessita chegar em algum lugar e ele se sente perdido;
2. Dar um bom conselho a quem precisa;
3. Fazer as compras por alguém que se encontre impossibilitado;
4. Ajudar alguém desempregado para que consiga um emprego;
5. Ensinar e ajudar no aprendizado de alguém que muito precisa;
6. Ajudar alguém a atravessar a rua se a pessoa precisar de ajuda;
7. Dar esmolas ou ajudar alguém com pequenas coisas, como uma passagem, inteirar o valor de um produto que seja importante para aquela pessoa, enfim, pequenas contribuições;
8. Ajudar uma pessoa a se levantar caso ela sofra uma queda;
9. Fazer companhia ou visita a algum doente, acamado ou asilado;
10. Participar de campanhas para arrecadação de donativos e mantimentos a famílias carentes;
11. Participar de multirão de limpeza ou construção de casas a desabrigados;
12. Fazer trabalhos voluntários;
13. Fazer doação de sangue e órgãos aos necessitados;
14. Acalmar os aflitos e transmitir boas notícias a pessoas que se encontrar em desespero;
15. Em momentos de crises, não deixar o espírito lucrativo falar mais alto, antes ajudar o necessitado e contribuir para o momento melhorar e todos viveram com dignidade.
             Tudo na vida passa, o melhor é ajudar todos a superarem os momentos difíceis para voltar a vida ao normal.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Cultura Global, Problemas Globais

              Vivemos em um tempo que o mundo inteiro se debruça sobre problemas que abalam o planeta por inteiro. Existe uma preocupação latente com a questão ecológica mundial, com o consumo dos recursos naturais, com o aquecimento global, com as mudanças ambientais, com queimadas, com os gases do efeito estufa, com devastação de florestas, com questões de saúde e fome das populações mais pobres, com a emigração em massa de refugiados e com a busca de fontes limpas de energia. No entanto devemos nos perguntar de que maneira as soluções a esses problemas estão sendo conduzidos.
              Certamente muitas pessoas, profissionais formadores de opinião, meios de comunicação e centros de poder procuram fazer a sua avaliação e motivar os seus palpites para as medidas a serem tomadas sobre o problemas aos quais costumam ficar isolados, em áreas urbanas sem contato direto com eles. Eles visam promover um discurso "verde", mas desconexo com a realidade, porque não estão em contato com a realidade, mantêm-se distantes daqueles que vivem constantemente com a realidade desses problemas, não estão ao alcance do ouvir e às vezes nem sequer a aprofundar-se naquilo que costumam opinar.
              O pensar global sobre questões locais por oras se torna ineficiente e até ameaçador. Propostas globalistas que não visam em si as realidades locais, mas sim uma certa demagogia de envolvimento de todo um planeta pode incorrer no risco de priorizar não um sentimento de compaixão e compreensão por um povo que vive uma realidade e se depara constantemente com os problemas que os envolve, mas com uma visão mais interesseira, do qual a possível solução de um problema muito mais interessa a quem se propõe a ela do que de fato a quem mais sofre com ele, porque no fundo isso é algo rentável e lucrativo.
              A maior dificuldade da cultura global que visa a solucionar esses problemas está não somente na diversidade de opiniões, mas no extremismo delas, pois em oposições existem os que pensam que os problemas se solucionam simplesmente pelo avanço tecnológico, sem levar em conta considerações éticas, enquanto que outros acreditam em medidas de redução de natalidade e visam a colocar a intervenção humana como a responsável por todos os problemas. A cultura global por vezes se mostra como uma problema a solucionar questões locais, pois além da distância da realidade da natureza dos principais problemas, ainda existem as medidas extremistas, a ameaça a soberania de uma nação a resolver seus próprios problemas e a invasão a valores culturais locais, que criam a identidade de um povo e toda uma riqueza cultural vasta e histórica.
              A sobriedade das decisões e a capacidade de ouvir e entender o que acontece e respeitar os limites de cada povo e do próprio meio ambiente são mais sensatos que discursos carregados de emoção e ideias prontas pouco aprofundadas. Todos podem ajudar, mas é melhor a sensatez de pensar em soluções locais para construir um lugar melhor para todos viverem. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Igualdade e Diversidade

          Encontrar um elo entre duas definições claramente opostas parece ser uma das maiores dificuldades. Pessoas em geral são diferentes e por mais próximas que pareçam entre si, sempre haverá diferenças, seja em questão de opiniões, seja em questão de escolhas pessoais, seja em habilidades e dons, seja em gostos ou seja em vocações. Enfim, pessoas sempre vão apresentar distinções entre si. Mas seria isso um problema?
          Certamente se as diferenças fossem problemas elas seriam de difícil solução. Há quem diga que a melhor maneira de lidar com as diversidades seja o respeito. No entanto, caberia a cada um de nós refletir o que seria esse respeito. Abandonar as próprias convicções para abraçar as convicções alheias achando que isso condiz com o respeito certamente não é algo prudente. Respeitar não pode ser confundido com um apoio, uma compactuação ou uma defesa. Até mesmo porque deixar uma posição para assumir outra simplesmente por acreditar ser isso um sinal de respeito pode levar a uma convicção puramente subordinada, a qual o poder de decisão é simplesmente transferido a outro, o que incorreria na alienação.
          Entender que as diferenças existem e saber a importância disso é bom. Pois quando se há diferenças se há diversidades, principalmente em relação a habilidades e capacidades de realizar coisas distintas. Em uma empresa por exemplo há necessidade de diversas especialidades, que certamente são supridas por diversos profissionais e cada um deles terá suas próprias personalidades, suas características, qualidades e defeitos. Como sempre haverá imperfeição em todos em alguma função, a habilidade e especialidade de outros suprem essa falta. Assim, é mais produtiva uma equipe formada por diferentes que aquela formada por iguais, pois os iguais apresentam as mesmas habilidades e os mesmos defeitos, o que além de não suprir as debilidades da equipe ainda pode emergir os conflitos de ideias e perspectivas daqueles que detém as mesmas habilidades.
          Assim, respeitar as diferenças não é abandonar suas capacidades e suas reflexões, respeitar é apenas compreender a necessidade do diferente, entender os porquês cada qual dentro de suas características pessoais, sem intrigas, sem excessos e exageros, convivendo em discursos coerentes e construtivos, compreendo cada momento e cada instante, sem se deixar descontentar por considerações ideológicas, políticas ou mesmo culturais. A igualdade em si deve se dar no respeito e na capacidade de enxergar a humanidade no próximo, porque de resto sempre haverá a diferença, e é a diferença que constrói a diversidade, a riqueza da diversidade.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Relação humana com a meio ambiente

           Diante de um questionamento podemos nos perguntar: o homem domina a natureza ou a natureza domina o homem? E talvez podemos nos surpreender em descobrir que nenhuma das opções pode nos levar a resposta certa. Mas, por que isso poderia acontecer?
           Embora as ações humanas interfiram na natureza e em seu equilíbrio e de fato o homem poder aproveitar da maneira possível os recursos naturais e entender perfeitamente que suas ações podem trazer consequências bem desastrosas para o meio em que ocupam, inclusive implicando em crimes ambientais, em causar passivos e desequilíbrio ao ritmo normal de recuperação do próprio meio ambiente, não podemos deixar de ignorar que fenômenos naturais, independentemente da vontade humana também modificam a natureza e que esses acontecimentos não são recentes, mas que sempre estiveram presentes e que acontecem de tempos em tempos. Fenômenos naturais e catastróficos acontecem naturalmente em nosso planeta, como é o caso do vulcanismo, atividades sísmicas, tornados, furacões, tempestades, entre outros.
           Há quem diga que a atividade antrópicas interfiram na qualidade do meio ambiente e certamente isso é verdade, porém não se deve exagerar e imaginar que tudo que venha a acontecer com as modificações ambientais sejam de responsabilidade da atividade humana. Lógico que aquilo que o homem pode fazer para melhorar a qualidade do ambiente em que vive é bom por implicar na consciência ecológica, ou seja, se conscientizar do meio em que vive e preservá-lo para mantê-lo sempre sustentável assegurando as melhores condições possíveis para viver. Por isso surge a necessidade de combater as poluições (química, sonora, visual,...) e contaminações (rios, ar, solo,...), preservar vegetações e espécies animais, usar conscientemente os recursos naturais sem desperdícios, enfim; tudo para que o ambiente se torne propício e sustentável. No entanto, existem diversos fatores que independem da ação humana e que geram fenômenos que implicam no funcionamento do ambiente.
           Nas aulas de Geografia aprendemos que os fatores que modificam o relevo são tanto internos quanto externos, os fatores internos são aqueles que modificam o relevo pela estrutura interna da terra, como a movimentação de placas, atividades vulcânicas, formação de falhas, entre outros, enquanto que os fatores externos são aqueles que modificam o relevo por fenômenos externos a estrutura terrestres, como a ação pluvial ou fluvial, ou pela ação do vento e a ação do homem, que representa apenas um fator modificador. Ademais, o próprio efeito estufa que muito se atribui a culpa da ação antrópica não se deve somente as atividades humanas, e por mais que a humanidade se esforce para evitar tais mudanças o máximo que ele pode fazer ou é retardar ou simplesmente reduzir a parcela que de fato depende dele. O aquecimento global, por exemplo, muito pouco depende da ação do homem, pois ele não pode controlar os ciclos do Sol ou da Lua, ou mesmo os raios cósmicos ou movimentação das correntes marítimas. Tudo que ele pode fazer é reduzir é reduzir a parcela de dióxido de carbono que ele produz, mas mesmo assim não poderá evitar o funcionamento da natureza.
           Quanto a natureza dominar o homem é difícil afirmar devido ao fato do homem procurar modificar ou lutar contra ela, ou ainda refletir sobre ela e procurar usá-la de modo a adquirir novas habilidades ou extrair seus recursos para desfrutá-la. Enfim, o ser humano é tentado a explorar o ambiente, a investigá-lo e procurar entender seu funcionamento para assim "dominar" a natureza, e em especial, a sua própria natureza. De qualquer forma, um ser humano não pode negar sua realidade biológica, ou caso queira, ele pode incorrer no risco de artificializá-la. Mesmo assim, a cópia será da própria natureza, como as flores de plástico ou grandes construções que copiem aquilo que funciona na meio ambiente (helicópteros como cópias das libélulas ou aviões inspirados em asas de pássaros). Enfim, afirmações de que o homem domina a natureza ou a natureza domina o homem são muito sutis e desafiadoras.     

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Um Triste Recomeço

         Mal começa o ano e inúmeras tragédias acontecem, muitas famílias de luto, muitos acontecimentos lamentáveis e sonhos tão breves sendo interrompidos. Situações assim se espalham por diversos cantos e lugares. E depois que tudo isso passa o que sobra é a dor, é o luto, é o sentimento de falta e o desalento. Mas é preciso continuar e seguir a vida porque a vida continua é o que lembra a frase do senso comum.
         Certamente não é uma tarefa simples voltar a vida ao normal depois de uma perda ou de uma grande decepção. É necessário aceitar a perda e continuar a vida, sempre buscando recuperar ou aliviar aquilo que não se tem mais, em certos casos deixar aquilo só como parte de uma lembrança, aceitar o fato e seguir a diante. Quando alguém deseja "força" a uma família ou a alguém em situação muito delicada o que de fato ela quer é isto, que se aceite o fato e recomece, mesmo que de um jeito diferente. No entanto isso não é simples, não é uma situação confortável, o desejo serve para dar ânimo a uma mudança necessária, mas que precisa de muita força de vontade, pois se não houver, a pessoa passará momentos constantes de tristeza e melancolias, ansiedades, desânimo ou na pior das hipóteses depressão.
         Diante de um mau acontecimento muito acham que o esquecimento é o melhor a ser feito, e desse modo se desvencilhar de tudo que traga a lembrança tal fato para que a partir daquele momento nova vida se faça. Entretanto esse sentimento não é unânime, cada ser age conforme sua forma diante de um fato trágico, e assim a lembrança não seria algo ruim, pois se tem a chance de refletir sobre aquilo que deixou saudade, sobre como as coisas eram e o que elas se tornaram. Se a lembrança não prende a pessoa ao passado e só serve como um alento sobre aquilo que um dia existiu não há problemas em recordar o passado, por mais triste que o fosse.
         Outro fato importante é que lembrar tragédias e erros do passado podem ser edificantes no presente e no futuro, isso desde que os cuidados com as falhas do passado sirvam de lição e aprendizado para que eles não voltem a ser cometidos e ainda que eles sejam tratados com maior disposição a fim de preveni-los. Muitas melhoras acontecem de grandes tristezas vividas.
         Muito se diz que diante de uma dor é necessário força de vontade de recomeçar e que diante de um sofrimento é que se deve ser mais forte e voltar revigorado dele. Não se deve ser indiferente e apático a uma grande dor, mais após uma queda ou fracasso deve-se remir forças e buscar fazer com que o depois seja melhor que o antes. Enquanto uns vêem o sofrimento como uma causa irreparável, outros o vêem como uma oportunidade de se fortalecer é procurar momentos melhores e revigorantes.
         Seja como for, o recomeço nunca é simples, as respostas no início são desesperadoras e com o tempo elas se tornam imprevisíveis, somente quem vive a situação saberá ao certo como que com o tempo reagirá. Mesmo que haja psicólogos, psiquiatras ou outros especialistas, é a que a pessoa que a vive que deverá saber como melhor reagir a dor.               

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Economia x Ecologia

          Uma das conciliações necessárias e mais emblemáticas que se tem e aquela entre economia e ecologia. Para muitos, o avanço da economia, cujo alvo é altamente lucrativo, por vezes é irresponsável e danoso ao meio ambiente. Do mesmo modo, há quem acredite que a preocupação exagerada com questões ecológicas e ambientais represente um "freio" prejudicial ao avanço econômico. É bem verdade que um país ou região para se tornar desenvolvida deve gerar renda e se apoiar em atividades lucrativas geradoras e mantenedoras de recursos, porém a preocupação com aquilo que é gerado direta e indiretamente por aquela atividade não deve ser menosprezado e dentro desta preocupação certamente as questões ambientais relevantes não devem ser ignoradas.
          Um dos problemas ao se constatar a conciliação entre economia e ecologia mais visível claramente se dá no campo, em que diversas áreas florestais são devastadas para ceder lugar á agricultura e pecuária, além da derrubada e venda ilegal de madeira, que é uma atividade, embora ilegal, muito lucrativa, e garimpo de metais em áreas de preservação ambiental. Olhando sobre tudo isso, a impressão que se dá de fato é que os aspecto ecológico impõe uma limitação ao avanço econômico, ainda mais quando se discute a queima de combustíveis fósseis e o agravamento do aquecimento global. Gerar renda e produtividade, fazer negócios e estabelecer comercio de modo a girar a economia local, regional e nacional são questões que buscam todas as nações, porém há que se pensar em uma maneira de fazer com que tudo isso caminhe em conjunto. 
          Na realidade atual, quando uma empresa consegue transmitir uma mensagem de consciência ambiental ela acaba por passar uma boa imagem de si, como se fosse uma empresa consciente, comprometida com as próximas gerações, como se isso agregasse a ela um valor, que por sinal possui um peso e que reflete e impacta nos seus produtos. Quando se vende uma imagem assim, ela vende também a imagem de seriedade, compromisso e visa a buscar pontos de seus clientes. Só que é muito importante que essa imagem não esteja apenas estampada em uma propaganda de marketing, mas que de fato se pense sobre os impactos que uma atividade traga ao ambiente para reduzir os passivos ambientais e o mantenho produtivo, segura e saudável por longos anos, considerando inclusive a população do entorno e os recursos naturais próximos, como rios, nascentes, solos, florestas, entre outros.
          Pode não ser uma tarefa fácil, mas é uma tarefa necessária. Quando se fala em crescimento sustentável, o que se pensa não é de fato a curto prazo, mas sim a médio e longo prazo. Lógico que quando se pensa em curto prazo, as questões ecológicas poderiam representar uma limitação do avanço da economia, pois exigiria alguns cuidados e talvez até gastos iniciais que não mostrariam algo lucrativo no primeiro momento, além de limitar o avanço de algumas atividades. No entanto, isso se torna necessário para preservar a atividade rentável por um tempo mais prolongado, de modo a garantir saúde, qualidade e comprometimento, evitando possíveis problemas que venham a ser gerados em decorrência da atividade pecuniária.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Feliz Ano Novo

             Receber uma mensagem de feliz ano novo a uma semana de acabar o mês de outubro deve ser algo muito estranho, porque ou a pessoa que deseja isso está adiantada ou está muito atrasada. No entanto serve para lembrar que o ano iniciou e está caminhando para o seu fim e rever ainda antes de seu término se de fato aquelas promessas da passagem do ano estão ou não sendo cumpridas.
             São muitos os acontecimentos durante o ano em nossa vida, muitos são bons, outros nem tanto, alguns excelentes e maravilhosos, outros tristes, irritantes e melancólicos. Muitos deles ainda estão sendo vividos neste exato momento, outros são frutos de instantes anteriores que ocorreram ainda este ano. Em cada parte, em cada canto do mundo um acontecimento diferente que interage em diferentes níveis com a nossa vida e certamente tudo acaba por interferir naqueles votos que fizemos de boas entradas no ano que se inicia.
             No início havia sonhos, metas, idealizações e realizações, mudanças de comportamento, de hábitos, de costumes. Prometia-se a felicidade, a paz, o amor, a caridade. Praticar mais exercícios físicos, entrar na academia, perder peso, mudança para hábitos alimentares mais saudáveis, um novo emprego, viajar, conhecer o mundo, ter mais tempo com os filhos e com a família, aprender uma nova habilidade, uma nova língua, a tocar um instrumento musical, fazer um curso de especialização ou uma graduação, casar-se ou encontrar um grande amor, um(a) companheiro(a). Isso é muito mais são foram os votos e credenciais de um ano melhor e promissor. Nove meses se passaram, o décimo mês logo se encerra. Restarão mais dois meses e a pergunta ainda se faz: os votos e promessas de início de ano estão se cumprindo? Já se cumpriram? Este mês está sendo de amor, paz, prosperidade, saúde e felicidade?
             Manter o referencial dos votos de entrada com o passar do tempo e seus acontecimentos certamente não é uma tarefa fácil, além de necessitar muita vontade e dedicação eles visam nossa vigilância constante em busca de metas e objetivos. Com o tempo as dificuldades vêm, coisas das quais não se esperava e nem sequer queria-se que acontecesse. Estipular uma meta é mais fácil que mantê-la, e cumpri-la exige esforço, dedicação e vontade constante. O que acontece é que as pessoas costumam ser voláteis, mudam de hábitos constantemente, perder o foco de suas metas, contam com os imprevistos e postergam-se seus sonhos. A dificuldade financeira ou um problema familiar pôde postergar um sonho de viajar e conhecer um novo lugar, um novo país. As ocupações do trabalho e a correria do dia-a-dia pôde atrapalhar aquela hora prometida a dedicar mais a família. O falecimento de familiares e amigos próximos ou mesmo o sofrimento por causa de uma doença pôde ter ofuscado o brilho daquela felicidade que tanto se desejava e tantos outros acontecimentos da vida.
             De qualquer forma, o ano ainda não terminou e até o dia 31 de dezembro dá muito tempo para diversos acontecimentos, quem sabe ainda a meta de inicio de ainda possa ser cumprida e aqueles votos de boas entradas, quiçá até esquecidos durante o decorrer do ano, possam ser vividos e revividos. Por isso, dedico os votos de feliz ano novo!         

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Laicidade e Laicismo

           Dizemos que o Estado é laico, o que significa uma autonomia entre Estado e Igreja, seja a religião que for, no entanto, atualmente vem sendo corrente aqueles que preguem uma distinção completa e até mesmo uma hostilidade contra todo e qualquer sentimento que religue a um sentimento religioso, como se tudo que fosse de competência do Estado necessitasse uma ausência completa de tudo que envolve uma moral religiosa. Mas será que de fato do Estado ser laico é condizente com isso? E por que isso acontece?
           A História mostra claramente que em tempos passados, principalmente na Idade Média a influência da Igreja sobre o Estado era muito marcante, de modo que o que valia para a Igreja era também o que valia ao Estado. Isso certamente, com o avançar do tempo, trouxe descontentamento a muitos, e com as revoluções e acontecimentos históricos sociais foi desenvolvida a separação do Estado e da Igreja, de modo que cada qual possa atuar de modo independente um do outro. Quando o Estado não interfere na prática religiosa ele permite que várias confissões religiosas sejam realizadas de modo a respeitar suas culturas, ritos e tradições, além é claro, de respeitar aqueles que se colocam como ateístas.
           O que está muito em voga ultimamente não é a laicidade, mas sim o laicismo. Por vezes, correntes de pensadores e intelectuais, tendem a tornar laicidade e laicismo como sinônimos, de modo a justificar o Estado não como laico, mas sim como laicista. Deste modo, as pessoas que detém responsabilidade por qualquer tema voltado ao Estado deveriam deixar seu sentimento religioso de lado, e por vezes até mesmo ser combatido, pois uma decisão defendida por um grupo de pensadores livres poderia enfrentar uma dificuldade muito grande de adesão quando  as partes envolvidas na decisão levam em conta a sua moral religiosa na decisão.
           Embora seja visto o Estado como algo laico, é perceptível o quão a cultura moldada em padrões religiosos existe, pois mesmo a moral e a ética são mais fortes dentro de uma perspectiva religiosa. Se a intenção do laicismo é destruir esta fundamentação de moral e ética baseada em preceitos religiosos muito rígidos e por ora conservadores, o melhor é certamente ensinar as pessoas que o Estado deve ser construído dentro de uma perspectiva que abandone esses valores, pois assim as mudanças e revoluções culturais serão bem mais fáceis de serem implantadas. Não é a toa que Karl Marx já dizia que a religião é o ópio do povo, pois para implantar sua ideologia o melhor seria destruir os valores morais religiosos e assim as pessoas seriam mais fáceis de se tornarem adeptas de seu pensamento.
           Enfim, laicidade e laicismo são duas definições distintas, na qual a laicidade prevê que o funcionamento do Estado e da religião independem um do outro, mas em momento algum se põem como antagonistas e todas as formas de crenças são respeitadas, inclusive o ateísmo, muito diferente do laicismo, na qual o principal objetivo é combater e perseguir as confissões religiosas, desmoralizando-as e desqualificando-as. Pensamentos fundamentalistas não são características próprias de dogmas e doutrinas religiosas, mas também ideológicas, no sentido de reduzir toda uma verdade ao seu meu mero consentimento, sem oferecer espaço a reflexão de outros pontos de vista, ainda que esses não sejam atraentes.
           Se o Estado é democrático é porque o poder emana do povo, e o povo escolhe seus representantes tendo em vista a posição deles. Se eles não agradarem então que não sejam eleitos. Assim, os governantes são o reflexo daquilo que o povo quer. Não cabe a nenhuma confissão religiosa a interferência nesse processo, porém também não cabe tirar a religiosidade daqueles que são eleitos democraticamente pelo povo.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Os Re"ciclos" da Vida

             Cdoisas iniciam, coisas terminam, padrões servem para o agora e modificam amanhã e logo voltam a valer. Poderia-se esperar que algo que faz sucesso hoje logo passa e nunca mais retorna, ficaria preso ao passado. Porém tão logo é relembrado e novamente esquecido.
             Dizem que a vida é dinâmica, que padrões muitas vezes são momentâneos e devem ser atualizados constantemente, assim funciona com as leis, assim funciona com as concepções, assim funciona com os comportamentos e mesmo com a moda. Os estilos de vestimentas e roupas são os maiores exemplos de efemeridade, um estilo é sempre momentâneo com a época e por algum motivo, muitas vezes não bem esclarecido eles são retomados. Muito disso nem se quer ganha a atenção dos seguidores de tendências, eles agem por impulso, por uma motivação midiática ou externa para valoriza algo que está em alta, que está no clímax da sociedade.
             A verdade é que muitas vezes se vive em função de uma preocupação ou evento que se torna o centro das atenções, a sociedade vai se atualizando conforme enxerga a necessidade daquilo que vive e a realidade dos fatos que se apresenta. Especulações científicas, tecnológicas, politicas e econômicas também servem para despontar o assunto do momento. Um exemplo a se destacar disso tudo, dentre tantos outros, poderiam ser os aparelhos de telefonia móvel, os celulares, que inicialmente eram grandes, depois o ideal era os tê-los o mais compacto possível e que agora com a tecnologia dos celulares inteligentes (os smartphones) eles voltam a ganhar importância em seus tamanhos e quiça no futuro os modelos mais compactos e menores possíveis voltem a ganhar destaque ou ainda o avanço tecnológico os substitua por outra tecnologia mais avançada e atrativa.
             Mas são muitas as áreas e aspectos da vida que podem sofrer este ciclo. A tendência, de maior frequência, é o processo de urbanização, pessoas deixarem o campo para formar as cidades (por oras grandes cidades), no entanto, em algumas, surge espontaneamente a vontade por retomar a vida rural, isso lógico com o passar do tempo e com a maturidade. Isso também pode ocorrer em diversos processos migratórios, adaptações e readaptações.
             Enfim, em tantos momentos, épocas e instantes, a vida vai se formando em ciclos, ora mais curtos, oras mais longos, sejam eles periódicos, sejam eles aperiódicos, e com ele a vida vai se equilibrando, se construindo e se desconstruindo, se inventando e se reinventando e expondo toda a sua dinamicidade.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Gentileza por Gentileza

           Da forma mais comum se espera que pessoas ocupem seu tempo com coisas lucrativas e que lhes deem o progresso que tanto almejam, no entanto, porque não pensar em pequenos gestos que podem voltar para si mesmo de modo natural, sem que para isso se espere alguma retribuição?
           Fazer um gesto de bondade, doando algo de si ao outro pode ser uma boa razão para partilhar um momento feliz e agradável. Geralmente, quando se fala em partilha e doação logo se imagina a algo material a ser partilhado entre as pessoas, mas essa partilha não necessita ser algo de material, ela pode ser dos modos mais diversos possíveis e certamente todas elas atraíram bons momentos, instantes que trarão experiências, aprendizados, motivos para rir e contar histórias, instantes esses saudáveis, sociáveis, de conhecimento e exploração de uma nova realidade, de uma nova cultura, de uma nova visão de mundo e da aquisição de novos valores. Isso tudo gera uma corrente de bons valores, de boas atitudes e de bons hábitos. Segue uma lista de boas partilhas:
1 - Uma saudação calorosa: um bom dia, um abraço, um aperto de mão, uma palavra de carinho e conforto;
2 - Uma pequena lembrança, por mais insignificativa que seja;
3- A presença: para muitas pessoas em diversos cantos do mundo isso é tudo que falta, alguém para conversar, para compartilhar do tempo, como por meio de visitas;
4 - Tempo: esse talvez seja o fator mais difícil de ser partilhado em uma vida agitada e corrida, cheia de afazeres, porém o que muitas vezes falta em uma instituição de caridade é alguém que partilhe parte de seu tempo para transmitir suas experiências de vida e seus aprendizados com alguém mais necessitado;
5 - Cestas básicas: não são poucas as instituições e pessoas que se comovem para arrecadar recursos para fazer cestas básicas para doar a famílias carentes. Não é necessário que uma só pessoa doe todos os itens de uma cesta, basta um deles, pois se um bom grupo de pessoas se reúnem para um bem, já é o suficiente para angariar uma e às vezes até mais cestas;
6 - Sangue, medula e órgãos: o sangue e a medula podem ser doados em vida e até varias vezes ao ano e já ajuda muitas pessoas necessitadas. Quanto aos órgãos, basta conversar com a família e pedir que ela aceita a doações de seus órgãos após seu falecimento;
7 - Leite materno: já é possível até doar leite materno em alguns bancos de leite, que usam dessa reserva justamente para amamentar crianças que por um motivo ou outro não podem ser amamentadas por suas mães biológicas;
8 - Trabalhos voluntários: porque não usar de seus talentos para contribuir com pessoas carentes. Usa o que houver de melhor em sua profissão para fazer um bem, como um corte de cabelo, um atendimento médico ou odontológico voluntário, acompanhar um casa judicial, ...
9 - Uma carona: já há registros em algumas cidades das chamadas caronas solidárias, que além delas partilharem o transporte de alguém, ainda podem ajudar a atenuar problemas de tráfego congestionado e poluição ambiental;
10 - Valores: certamente isso não deveria ser visto como uma boa ação, mas sim como uma obrigação, no entanto, diante de tantos casos de desonestidade e falta de ética, fazer as coisas certas parece algo anormal. O certo sempre é devolver aquilo que os outros perderam, é confessar, se arrepender e pedir perdão ao algo quando notar o mal que fez e não querer nunca levar vantagens indevidas em negócios. Quiçá a solução para isso tudo seja de fato a partilha dos bons valores.
           Enfim, partilhar o bem não deve ser algo comprometido e sim descompromissado, porém é comum de se esperar que um bem praticado sempre voltará a si naturalmente.   

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Cultura Descartável

          A importância da cultura é a sua fluência, quanto mais o tempo avança as tradições devem avançar, a forma de ver e enxergar a vida deve evoluir. Prender-se em velhos hábitos, dogmas e preceitos criam padrões que impedem o ser humano de se recriar, reinventar e se abrir ao moderno, ao novo, a cultura de novos valores e ao envolvimento com novas experiências, experiências essas que baseadas em tradições passadas são vistas como as danosas, as proibitivas, como algo nefasto e estigmatizado.
          É logico que se prender firmemente em convicções e velhos hábitos geram os empecilhos ao reinventar-se e ao evoluir-se recriando-se e assim, por consequência, adotando novos pensamentos mais aberto ao novo, às novidades e àquilo que é mais agradável e traz mais conforto e demais comodidades. No entanto, sempre há um limite para que não se perca o controle sobre mudanças e novidades. As mudanças são inevitáveis, e se observarmos desde o início do mundo, cada canto do planeta tende a um contato cada vez mais frenético, muito em virtude do avanço do processo de globalização e de novas mídias. A capacidade da humanidade evoluir e se readaptar a novas formas de convivência e interação com diversas culturas, até mesmo criando a cultura do eclético ou do moderno.
          Certamente o desapego a valores, bens e tradições facilita muito um estilo de vida baseado em consumo, em relações comerciais, em novos nichos de negócios e em interações humanas que favorecem a abertura a diversos hábitos e culturas. Isso denota uma tendência cada vez mais perceptível a mudanças e àquilo que poderia gerar a cultura do descarte, na qual um indivíduo se desprende de seus valores para estar aberto a todos, ou mesmo se desfazer de suas aquisições com frequências maiores, tornando-as descartáveis sempre mais cedo.
          Outra fato que demonstra a cultura do descarte é a relação entre as pessoas estabelecida em função de interesses utilitários e efêmeros, o que não traz vínculo entre indivíduos com carácter permanente ou solidário, pois se estabelece muito superficialmente. Enfim, uma cultura descartável é uma cultura altamente instável, fixada em hábitos e relações amplamente efêmeras, tendo por vista interesses de prazer momentâneo ou unicamente utilitaristas, na qual um "cansaço" ou mudança de tendência ou ainda a "moda" já são justificativas suficientes para desprender-se de "velhos hábitos" e experimentar o "novo", que se renova a taxas bem mais frenéticas.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Ideologia do "Progresso"

             Cada um deve escolher ser o que quiser ser, os homens e mulheres devem ser iguais, crianças devem aprender sobre sexualidade desde cedo, diz que o fator biológico determina o que é o indivíduo é uma falácia, poiso isso é apenas uma atribuição da sociedade, as substâncias ilícitas devem ser todas legalizadas e o Estado deve entender como família todas as formas possíveis de família. A arte deve ser totalmente livre, pode retratar corpus nus, relações sexuais entre humanos e animais ou brincar com objetos e símbolos sagrados de qualquer religião que seja. Este é o pensamento progressista que se precisa validar em pleno século XXI.
             Muitos são os que defendem que pensamentos conservadores deve ser enterrados no passado, que a humanidade deveria evoluir e acabar com antigos valores. Assim, a visão de uma família tradicional já está ultrapassada e sustentar que existem diferenças de ordem fisiológica e biológica entre homens e mulher já não deve mais ser usado como "pretexto" para a divisão de atividades entre eles, pois isso é um modelo arcaico de sociedade patriarcal e machista. Além do mais, muitos acreditam que é por culpa deste machismo que a mulher perde o direito até mesmo de definir sobre o que "concerne ao seu próprio corpo", o que a impede do direito ao aborto. O mesmo conservadorismo que afirma ser contra a ideologia de gênero é composto de pessoas preconceituosas para os chamados progressistas.
             No entanto o que se percebe ultimamente é uma ascensão de pessoas com pensamento conservadores, o que por vezes gera um conflito bipolarizado entre progressistas e conservadores, ou ainda, entre os ditos: direita e esquerda. O que de fato vem acontecendo é um confronto de ideias que visa progredir a humanidade através da desvalorização de pensamentos tradicionais mais rígidos, o que por ora atinge pessoas que são simpáticas a esses valores, e que ao ponto de vista dos conservadores faz sentido, uma vez que implica na forma natural da vida acontecer, de modo moral e ético.
             Um dos pilares do pensamento conservador se baseia em ordenamentos e regras que culminam por gerar restrições e definições rígidas do que é certo e do que é errado, enquanto que o pensamento progressista visa uma liberdade maior a esse limite de ordenamento, dando maior capacidade de escolha e flexibilidade sobre o que se deve ou não fazer, fazendo com que o normal adquira um espaço maior ao que ele deveria ser até mesmo pelo bom senso.
             Certamente é bom reconhecer limites e entender que progredir os reconhecendo não deveria ser visto como algo ultrapassado, afinal a vida é feita de estágios e cada qual deve ser vivido dentro do que é saudável a cada um deles. Também seria um erro subjugar a condição biológica e fisiológica do ser humano e achar que cada um deveria decidir livremente por sua vida, o que quer que seja, pois toda a ação sempre gerará uma consequência, sendo que ela pode afetar ao outro.                   

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O que é Liberdade?

           Em geral, a definição de liberdade está relacionada com a capacidade de escolha, de decisão. De acordo com o dicionário Aurélio a liberdade é considerada como a habilidade de decidir ou agir conforme os seus próprios anseios e vontades. Para uma melhor compreensão é possível estudar a liberdade acordada com algumas definições, como respeito, capacidade de escolha, regras, disciplina, restrições, independência e cidadania (sociedade).
            Há uma famosa expressão popular que diz: "minha liberdade se encerra onde começa sua liberdade". Não se deve confundir respeito com compactuação e a aceitação de valores diferentes jamais deve representar apoio ou conivência com aquilo que não lhe apraz. Repeito ao diferente, ao pensamento e comportamento diferente deve ser visto como a obediência e compreensão de formas e modelos distintos de pensamentos e comportamentos sem que um deles interfira ou se sobreponha as liberdades individuas de cada um, do contrário, a frase anterior não faria sentido. O respeito é necessário para a aceitação de regras e determinações que contribuam para uma maneira sustentável e sadia de convivência em sociedade.
            Jean-Paul Sartre dizia que "todo homem está condenado a liberdade", de modo que não há uma escravo, incapaz de decidir qualquer coisa por si só. O poder de escolha é a essência da liberdade, uma vez que toda a concepção de homem livre passa pela capacidade que ele tem de escolher. No entanto, a sua capacidade de decidir não é absoluta, o que não o torna livre para tomar todas as escolhas que bem o aprouver, até mesmo porque isso geraria desordem, implicaria em interferir em liberdades alheias e o incapacitaria ante suas próprias limitações, sem contar as limitações legais, que são as condicionadas por leis. Ademais, escolhas condicionam a existência de outras escolhas, sempre que se opta por algo, uma série de outras escolhas são omitidas, e as escolhas assumidas sempre geram consequências de pequena ou grande escala, aquilo que pode ser chamado de "efeito borboleta". Dentro da visão existencialista isso é considerado como algo triste.
            Para Montesquieu: "A liberdade é a habilidade de fazer aquilo que a lei permite, e, se um cidadão pode fazer aquilo que é proibido pela lei ele não pode possuir a liberdade, pois os outros teriam o mesmo direito". Embora o senso comum veja as leis como a capacidade de reduzir a liberdade, uma vez que a lei reduz a capacidade de escolha, é também pela lei que se pode reclamar a sua liberdade e impor meios punitivos que visem estabelecer a ordem para que as liberdades individuais também possam ser cumpridas e respeitadas, pois não ausência delas não haveria como reclamá-la.
            Outro aspecto interessante é a compreensão do quão a disciplina e a liberdade são definições opositoras e complementares, pois ainda que a disciplina remova boa parte da espontaneidade das escolhas ela possuí a capacidade de defender o direito à liberdade. Um exemplo bem clássico que se pode ver a respeito disso é na educação familiar: pais ensinam e educam seus filhos, eles lhes dão disciplina, no entanto eles condicionam o como eles devem agir e os seus comportamentos para que ajam de modo educado, o que contribuem para a remoção da liberdade espontânea da criança tomar suas próprias atitudes. Caso a educação não dependesse dos pais, eles não disciplinariam seus filhos e portanto haveria a liberdade para que seus filhos tomassem qualquer decisão por conta própria, contudo, essas decisões a serem tomadas poderiam facilmente expô-los a consequências desastrosas e irresponsáveis, sem bases, princípios e valores, isso porque toda a liberdade que não se ampara na disciplina corre o risco de se tornar libertinagem, que nada mais é que o mau uso da liberdade.
            Além do mais, a liberdade também está condicionada às suas restrições, o que impede que a liberdade seja absoluta. As restrições são limitações que cerceiam a livre tomada de decisões. Elas podem ser naturais: a mão não pode ouvir o que os ouvidos ouvem e tampouco os ouvidos segurarem aquilo que as mãos seguram; ou propostas (impostas) pelo convívio em sociedade. As restrições se opõe a liberdade a limitando, e lutar contra elas é um esforço em vão, que só gera desordem e problemas, seja a curto, médio ou longo prazo. Portanto, não faz sentido, por exemplo, apoiar e implantar ideologias de gênero, pois a natureza restringe a forma da reprodução humana e os genes que a ela estão condicionados (XX e XY).
            Segundo Aristóteles: "O homem livre é dono de seus desejos e o homem escravo somente de sua consciência". Isso acontece porque a independência é consequência da liberdade e a partir do momento que alguém escolhe ele se torna não somente dono de seus anseios, mas também responsável por aquilo. Assim se compreende que a liberdade possuí um bônus e, em contrapartida, um ônus.
            Em suma é sempre importante que a liberdade seja respeitada em todos os seus aspectos, especialmente quando imersa em leis providas de bons princípios de cidadania, ética e qualidade de vida. Como diz a bandeira de Minas Gerais: "Libertas quae sera tamem". (Liberdade ainda que tardia).