terça-feira, 2 de março de 2021

6 ou 9

Opiniões dissonantes: defender fortemente as próprias convicções ou ser crítico a elas? Criticar os próprios argumentos e arte da autocrítica não é algo simples, ao menos para muitas pessoas. O grande problema atual das críticas são os ataques que são frequentemente feitos àqueles que expressão opiniões sobre o assunto e não ao assunto em si, algo que será sensato e esperado. É muito comum ver em redes sociais e mesmo em embates pessoais, frente a frente sobre um assunto, pessoas se exaltarem com seus antagônicos de opiniões e deixarem de lado o assunto para partir direto para os discursos de ataque à pessoa, usando termos ofensivos e por vezes até de baixo calão. Achismos, induções, falsas acusações, más interpretações e boatos se tornam altamente comuns em um ambiente tóxico ao debate e ao confronto de ideias. Posições fanáticas, que não se abrem a críticas e modos distintos de enxergar resoluções ao mesmo problema, alienações da conduta e forma de pensar, a manipular de informações e notícias, a criação de narrativas com finalidade indutiva de formar opiniões, a forma ortodoxa de enxergar soluções somente em uma linha de ação, a base muito bem pautada no senso comum e a omissão de casos adversos e que repercute negativamente para o nosso ponto de vista sobre qualquer assunto que seja são muitos impeditivos que nos proíbe que fazer reflexões e autocríticas.

A saída do grande enigma de saber se é 6 ou 9 pode se no diálogo, nas reuniões, na capacidade de ouvir, na capacidade de "colocar todas as cartas sobre a mesa". Grandes desafios da ciência e da engenharia são resolvidos na base de discussões entre profissionais e especialistas, cada qual defendendo seus argumentos com todos os atributos que lhes cabe. Certamente, ao fim de tudo, quando se reina o bom senso, as análises de todos os pormenores, riscos e oportunidades, visa-se acatar a melhor proposta ou a que seja menos danosa. Mas se nenhum deles se abrir as propostas alheias, não haverá um senso comum, nada de produtivo será acatado e os problemas continuarão sem solução. Medidas, opiniões, argumentos e arguições devem ser acompanhadas à medida que são implantadas. Cabe as pessoas observarem a forma de pensam sobre um assunto específico e estudar o como ele realiza, como se encaixa no funcionamento das coisas, compreender o porquê o outro pensa diferente, compreender experiências diversas, olhar para uma posição crítica a sua e procurar sempre o equilíbrio e não a arrogância. Reconhecer nossas falhas e as formas diferentes de pensar diferentes soluções, monitorar cada uma delas e verificar se elas satisfazem ou não. Não adianta persistir em uma mesma visão ou solução de um problema se ele não entrega aquilo que se quer. Como Einstein dizia: "Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual". Por oras é necessário refletir e olhar profundamente sobre nossas convicções e ver se os resultados que dela esperamos fazem sentido mesmo ou apenas demonstram nossa própria intransigência de dialogar com o diferente.

Pensar em como o outro pensa e tentar entender o porquê dele enxergar 6 onde enxergamos 9 ou de enxergar 9 onde enxergamos 6 deveria ser visto como algo valioso, quiçá ambos estejam certo dentro de uma perspectiva diferente de ver o mesmo problema. O consenso nesse caso poderia ser abrandado a uma postura intermediária, que amenize problemas e otimize soluções, mas se não há cooperação de todos, então o diálogo se torna desnecessário e todas as críticas são meramente destrutivas, criando mais caos, incertezas, intrigas, confusões e divisões. Enfim, para haver consenso é necessário deixarmos de lado pressupostos, nos abrirmos ao diálogo e entender o contraditório, nos atendo sendo ao argumento contraditório e não ao argumentador do contraditório. 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Entre a tecnologia e a "dor"

Desastres naturais ou provocados pelo são constantes, de tempos em tempos vemos notícias ou estudamos sobre acontecimentos trágicos, como guerras, terremotos, enchentes, enxurradas, doenças, grandes incêndios, explosões, desabamentos de construções, represas e terras, acidentes com furacões, erupções vulcânicas e os mais diversos acidentes automobilísticos, aéreos e navais. Além dos mencionados, muitas outras situações trágicas podem ocorrer, mas o que mais surpreende é que situações assim servem para despertar na humanidade uma certa "revolução", ou seja, a necessidade de resolver problemas emergentes contribui para impulsionar a adaptação e "evolução" do próprio ser humano.

Há um consenso que na pré-história o ser humano era nômade, vivia basicamente da caça, pesca e coleta de alimentos vegetais (frutos, raízes e folhas). A partir do momento que ele aprendeu a cultivar a terra, houve uma primeira revolução do seu modo de vida, permitindo se fixar sobre uma área de terra. Quando ele aprendeu a domesticar animais houve uma nova evolução, permitindo substituir a caça pelo controle da criação de animais, reforçando um estilo mais sedentário de vida. Os primeiros seres humanos não costumavam fazer reserva de alimentos, eles basicamente cultivavam e preparavam a quantidade para consumo imediato, no entanto, em períodos de seca ou atingidos por outros desastres naturais representava uma ameaça a essas comunidade de seres humanos pela dificuldade em se obter alimentos. A partir daí surge a necessidade de reservar alimentos para poder suprir momentos mais difíceis para a agricultura, pesca ou mesmo criação de animais.

Outra situação que pode obrigar os seres humanos a mudar seu estilo de vida com a relação a mudanças ambientais e acontecimentos inesperados se relaciona com as vestimentas. Em tempos mais frios e com temperaturas muito baixas, a ponto inclusive de nevar, contribui por criar a necessidade no homem de manter uma temperatura confortável em seu corpo e evitar sofrer de uma possível hipotermia que o pode levar a morte. Assim, em tempos mais frios o ser humano precisou desenvolver vestimentas mais grossas e pesadas, muitas feitas com peles e couros de animais. Em tempos mais quentes o ser humano teve que desenvolver roupas mais leves e aprendeu a desenvolvê-las inicialmente a partir de fibras vegetais, tais como o linho e o algodão. Atualmente muitas das roupas são feitas por meio de materiais sintéticos, como a poliamida.

Guerras também contribuem e muito para a evolução tecnológica. Com o desenvolvimento da indústria bélica para alcançar uma superioridade tecnológica em relação ao inimigo para vencer mais facilmente uma guerras, não somente tecnologias ligadas a armamentos evoluem, mas também o desenvolvimento de novos materiais, como exemplo da grande quantidade de materiais poliméricos sintéticos que foram desenvolvidas na Segunda Guerra Mundial ou as tecnologias ligadas a meios de transporte, como veículos terrestres, avanços na indústria naval e aeronáutica. O evento da Guerra Fria propiciou a aceleração da corrida espacial, com uma disputa contínua entre soviéticos e norte-americanos para demonstrar quem detinha maior poder na indústria aeroespacial, propiciando assim acontecimentos históricos como a colocada do primeiro ser humano no espaço (a cadelinha Laika pelos soviéticos em 1957), o primeiro homem a orbitar a Terra (o soviético Yuri Gagarin em 1961) e finalmente o primeiro homem a pisar a Lua (o norte-americano Neil Armstrong em 1969).

Grandes epidemias e pandemias também podem servir como gatilhos para o avanço tecnológico, por meio delas a indústria farmacêutica se desenvolve, novos medicamentos, soros, tratamentos e vacinas, inclusive usando novas tecnologias, encurtando prazos e acelerando estudos. Pesquisas são desenvolvidas e equipamentos modernos e novos são impulsionados pela necessidade de desenvolvimento. Com a pandemia atual já há cientistas e pesquisadores que traçam estratégias antevendo futuras pandemias e aprendendo com os erros e acertos a ver o que necessita ser desenvolvido e aprimorado e como fazer para se antever e preparar-se para o que virá. Assim, guerras fomentam o desenvolvimento de novas tecnologias empregadas em armamentos, mas que podem ser desviadas para outras finalidades mais pacíficas, como a energia nuclear e novos materiais; desastres naturais podem forçar o ser humano a aplicar novas formas de manipular o espaço em que vive, como construções de diques e barreiras de contenção ou ainda aprimorar as técnicas de manejo do solo para evitar erosões pluviais ou empobrecimento do solo e grandes enfermidades podem acelerar a medicina ao encontro de soluções mais efetivas para dificuldades emergentes.

sábado, 22 de agosto de 2020

Menos ou mais?

             Atualmente muito se lembra daquela frase "menos é mais", usada para justificar o uso menor de um recurso para obter melhores resultados: menos luz acessa, mais economia de energia; menos embalagens, mais preocupação ambiental; menos lavagem de calçadas e carros, mais economia de água, menos carros circulando nas vias, mais aumenta a qualidade de ar devido a emissão de menos gases poluentes; menos pessoas em um lugar, mais silêncio, etc. Parece que vivemos realmente em um mundo de exageros, em um mundo perdulário e que visa à redução de disso tudo. Economia é arte de administrar o escasso, aquilo que é necessário ser controlado para evitar a falta, o desperdício e o prejuízo. Contudo o "menos" demais pode acarretar a falta, que por fim pode não trazer bons resultados. Sabemos que comer além do necessário é danoso a saúde porque pode levar ao sobrepeso e à obesidade e, por conseguinte, às doenças e complicações decorrentes deles. Por outro lado, a falta da alimentação adequada também gera prejuízos à saúde, como desnutrição, anemia e outras doenças decorrentes da carência dos nutrientes necessários ao organismo. Assim também poderia ser ao projetar a embalagem para os produtos, uma vez que a falta de uma embalagem adequada e mínima o suficiente para manter o produto em condições seguras levaria a sua perda.
             Em diversas situações cotidianas nos deparamos com essas situações, faltas e excessos acarretam resultados que por ora não são benéficos. Aristóteles costuma dizer que a virtude do bem viver está no meio termo e nos extremos estão os vícios. A virtude assim seria a moderação, a ponderação e o equilíbrio. Quando há um desequilíbrio nas decisões da vida é comum ver o oposto como uma solução: para o que há de mais o menos é agradável, para o que há de menos é melhor pensar no mais. Dificilmente alguém vive uma vida em equilíbrio por completo, sempre estamos sujeitos aos vícios, sejam eles a falta, sejam eles os excessos. A susceptibilidade diante da qual se encontram os indivíduos os tornam vulneráveis aos seus vícios e faltas e, portanto, a defesa de medidas extremas. Quanto mais se caminha a um extremo, mais se distância de um ponto de equilíbrio e, assim, com maior nobreza poderá ser visto o "menos" ou o "mais", porque o menos torna o indivíduo mais próximo da melhor decisão da mesma forma que o mais o torna menos distante dela. Um exemplo poderia ser a política, pois pode-se escolher entre direita e esquerda e quanto mais se defende uma posição frente a outra maior será a chance de se perder um referencial de equilíbrio e refletir se algo do oposto pode ou não ser aproveitado, avaliado ou mesmo reformulado, ou ainda, entregar-se a um reducionismo de mundo que se encaminha a um fanatismo ideológico.
             A moderação e o equilíbrio pode conduzir o indivíduo a racionalização, algo que pode ser aplicado de modo prático. Em uma linha de produção se deve ter em mente que um produto deve sempre satisfazer todas as expectativas da qualidade, em especial funcionalidade, segurança e durabilidade, por isso certas economias devem ser muito bem pensadas. Contudo uma empresa não pensa somente na qualidade de seus produtos, mais também no custo para fabricá-lo e no lucro obtido sobre sua venda, o que para ela os excessos para adquirir a boa qualidade não são bem vindos, pois geram desperdícios e perdem. Conciliar qualidade e custos gera lucro, gera bons resultados. Na vida, é comum decisões sempre gerarem consequências más e a redução destas más consequências está na racionalização das decisões. Racionalizar uma decisão e agir com moderação por vezes não é uma decisão simples, merece esforço, discussões, estudos, avaliação de riscos, gravidades e magnitudes e mesmo assim ela não será perfeita. Portanto, de acordo com a situação real há uma avaliação daquilo que será melhor: mais ou menos.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Solidariedade

           Ser solidário é uma forma de compreender a necessidade alheia, algo que deveria ser feito por qualquer um para ajudar ao próximo, mas não precisa ser algo muito grandioso, muitas vezes a solidariedade se faz presente em pequenos gestos, sem que necessariamente ele precise resultar em um bem material, a solidariedade pode estar em gestos, atitudes e colaborações. Vejamos algumas atitudes simples:
1. Passar uma informação a alguém que necessita chegar em algum lugar e ele se sente perdido;
2. Dar um bom conselho a quem precisa;
3. Fazer as compras por alguém que se encontre impossibilitado;
4. Ajudar alguém desempregado para que consiga um emprego;
5. Ensinar e ajudar no aprendizado de alguém que muito precisa;
6. Ajudar alguém a atravessar a rua se a pessoa precisar de ajuda;
7. Dar esmolas ou ajudar alguém com pequenas coisas, como uma passagem, inteirar o valor de um produto que seja importante para aquela pessoa, enfim, pequenas contribuições;
8. Ajudar uma pessoa a se levantar caso ela sofra uma queda;
9. Fazer companhia ou visita a algum doente, acamado ou asilado;
10. Participar de campanhas para arrecadação de donativos e mantimentos a famílias carentes;
11. Participar de multirão de limpeza ou construção de casas a desabrigados;
12. Fazer trabalhos voluntários;
13. Fazer doação de sangue e órgãos aos necessitados;
14. Acalmar os aflitos e transmitir boas notícias a pessoas que se encontrar em desespero;
15. Em momentos de crises, não deixar o espírito lucrativo falar mais alto, antes ajudar o necessitado e contribuir para o momento melhorar e todos viveram com dignidade.
             Tudo na vida passa, o melhor é ajudar todos a superarem os momentos difíceis para voltar a vida ao normal.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Cultura Global, Problemas Globais

              Vivemos em um tempo que o mundo inteiro se debruça sobre problemas que abalam o planeta por inteiro. Existe uma preocupação latente com a questão ecológica mundial, com o consumo dos recursos naturais, com o aquecimento global, com as mudanças ambientais, com queimadas, com os gases do efeito estufa, com devastação de florestas, com questões de saúde e fome das populações mais pobres, com a emigração em massa de refugiados e com a busca de fontes limpas de energia. No entanto devemos nos perguntar de que maneira as soluções a esses problemas estão sendo conduzidos.
              Certamente muitas pessoas, profissionais formadores de opinião, meios de comunicação e centros de poder procuram fazer a sua avaliação e motivar os seus palpites para as medidas a serem tomadas sobre o problemas aos quais costumam ficar isolados, em áreas urbanas sem contato direto com eles. Eles visam promover um discurso "verde", mas desconexo com a realidade, porque não estão em contato com a realidade, mantêm-se distantes daqueles que vivem constantemente com a realidade desses problemas, não estão ao alcance do ouvir e às vezes nem sequer a aprofundar-se naquilo que costumam opinar.
              O pensar global sobre questões locais por oras se torna ineficiente e até ameaçador. Propostas globalistas que não visam em si as realidades locais, mas sim uma certa demagogia de envolvimento de todo um planeta pode incorrer no risco de priorizar não um sentimento de compaixão e compreensão por um povo que vive uma realidade e se depara constantemente com os problemas que os envolve, mas com uma visão mais interesseira, do qual a possível solução de um problema muito mais interessa a quem se propõe a ela do que de fato a quem mais sofre com ele, porque no fundo isso é algo rentável e lucrativo.
              A maior dificuldade da cultura global que visa a solucionar esses problemas está não somente na diversidade de opiniões, mas no extremismo delas, pois em oposições existem os que pensam que os problemas se solucionam simplesmente pelo avanço tecnológico, sem levar em conta considerações éticas, enquanto que outros acreditam em medidas de redução de natalidade e visam a colocar a intervenção humana como a responsável por todos os problemas. A cultura global por vezes se mostra como uma problema a solucionar questões locais, pois além da distância da realidade da natureza dos principais problemas, ainda existem as medidas extremistas, a ameaça a soberania de uma nação a resolver seus próprios problemas e a invasão a valores culturais locais, que criam a identidade de um povo e toda uma riqueza cultural vasta e histórica.
              A sobriedade das decisões e a capacidade de ouvir e entender o que acontece e respeitar os limites de cada povo e do próprio meio ambiente são mais sensatos que discursos carregados de emoção e ideias prontas pouco aprofundadas. Todos podem ajudar, mas é melhor a sensatez de pensar em soluções locais para construir um lugar melhor para todos viverem. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Igualdade e Diversidade

          Encontrar um elo entre duas definições claramente opostas parece ser uma das maiores dificuldades. Pessoas em geral são diferentes e por mais próximas que pareçam entre si, sempre haverá diferenças, seja em questão de opiniões, seja em questão de escolhas pessoais, seja em habilidades e dons, seja em gostos ou seja em vocações. Enfim, pessoas sempre vão apresentar distinções entre si. Mas seria isso um problema?
          Certamente se as diferenças fossem problemas elas seriam de difícil solução. Há quem diga que a melhor maneira de lidar com as diversidades seja o respeito. No entanto, caberia a cada um de nós refletir o que seria esse respeito. Abandonar as próprias convicções para abraçar as convicções alheias achando que isso condiz com o respeito certamente não é algo prudente. Respeitar não pode ser confundido com um apoio, uma compactuação ou uma defesa. Até mesmo porque deixar uma posição para assumir outra simplesmente por acreditar ser isso um sinal de respeito pode levar a uma convicção puramente subordinada, a qual o poder de decisão é simplesmente transferido a outro, o que incorreria na alienação.
          Entender que as diferenças existem e saber a importância disso é bom. Pois quando se há diferenças se há diversidades, principalmente em relação a habilidades e capacidades de realizar coisas distintas. Em uma empresa por exemplo há necessidade de diversas especialidades, que certamente são supridas por diversos profissionais e cada um deles terá suas próprias personalidades, suas características, qualidades e defeitos. Como sempre haverá imperfeição em todos em alguma função, a habilidade e especialidade de outros suprem essa falta. Assim, é mais produtiva uma equipe formada por diferentes que aquela formada por iguais, pois os iguais apresentam as mesmas habilidades e os mesmos defeitos, o que além de não suprir as debilidades da equipe ainda pode emergir os conflitos de ideias e perspectivas daqueles que detém as mesmas habilidades.
          Assim, respeitar as diferenças não é abandonar suas capacidades e suas reflexões, respeitar é apenas compreender a necessidade do diferente, entender os porquês cada qual dentro de suas características pessoais, sem intrigas, sem excessos e exageros, convivendo em discursos coerentes e construtivos, compreendo cada momento e cada instante, sem se deixar descontentar por considerações ideológicas, políticas ou mesmo culturais. A igualdade em si deve se dar no respeito e na capacidade de enxergar a humanidade no próximo, porque de resto sempre haverá a diferença, e é a diferença que constrói a diversidade, a riqueza da diversidade.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Relação humana com a meio ambiente

           Diante de um questionamento podemos nos perguntar: o homem domina a natureza ou a natureza domina o homem? E talvez podemos nos surpreender em descobrir que nenhuma das opções pode nos levar a resposta certa. Mas, por que isso poderia acontecer?
           Embora as ações humanas interfiram na natureza e em seu equilíbrio e de fato o homem poder aproveitar da maneira possível os recursos naturais e entender perfeitamente que suas ações podem trazer consequências bem desastrosas para o meio em que ocupam, inclusive implicando em crimes ambientais, em causar passivos e desequilíbrio ao ritmo normal de recuperação do próprio meio ambiente, não podemos deixar de ignorar que fenômenos naturais, independentemente da vontade humana também modificam a natureza e que esses acontecimentos não são recentes, mas que sempre estiveram presentes e que acontecem de tempos em tempos. Fenômenos naturais e catastróficos acontecem naturalmente em nosso planeta, como é o caso do vulcanismo, atividades sísmicas, tornados, furacões, tempestades, entre outros.
           Há quem diga que a atividade antrópicas interfiram na qualidade do meio ambiente e certamente isso é verdade, porém não se deve exagerar e imaginar que tudo que venha a acontecer com as modificações ambientais sejam de responsabilidade da atividade humana. Lógico que aquilo que o homem pode fazer para melhorar a qualidade do ambiente em que vive é bom por implicar na consciência ecológica, ou seja, se conscientizar do meio em que vive e preservá-lo para mantê-lo sempre sustentável assegurando as melhores condições possíveis para viver. Por isso surge a necessidade de combater as poluições (química, sonora, visual,...) e contaminações (rios, ar, solo,...), preservar vegetações e espécies animais, usar conscientemente os recursos naturais sem desperdícios, enfim; tudo para que o ambiente se torne propício e sustentável. No entanto, existem diversos fatores que independem da ação humana e que geram fenômenos que implicam no funcionamento do ambiente.
           Nas aulas de Geografia aprendemos que os fatores que modificam o relevo são tanto internos quanto externos, os fatores internos são aqueles que modificam o relevo pela estrutura interna da terra, como a movimentação de placas, atividades vulcânicas, formação de falhas, entre outros, enquanto que os fatores externos são aqueles que modificam o relevo por fenômenos externos a estrutura terrestres, como a ação pluvial ou fluvial, ou pela ação do vento e a ação do homem, que representa apenas um fator modificador. Ademais, o próprio efeito estufa que muito se atribui a culpa da ação antrópica não se deve somente as atividades humanas, e por mais que a humanidade se esforce para evitar tais mudanças o máximo que ele pode fazer ou é retardar ou simplesmente reduzir a parcela que de fato depende dele. O aquecimento global, por exemplo, muito pouco depende da ação do homem, pois ele não pode controlar os ciclos do Sol ou da Lua, ou mesmo os raios cósmicos ou movimentação das correntes marítimas. Tudo que ele pode fazer é reduzir é reduzir a parcela de dióxido de carbono que ele produz, mas mesmo assim não poderá evitar o funcionamento da natureza.
           Quanto a natureza dominar o homem é difícil afirmar devido ao fato do homem procurar modificar ou lutar contra ela, ou ainda refletir sobre ela e procurar usá-la de modo a adquirir novas habilidades ou extrair seus recursos para desfrutá-la. Enfim, o ser humano é tentado a explorar o ambiente, a investigá-lo e procurar entender seu funcionamento para assim "dominar" a natureza, e em especial, a sua própria natureza. De qualquer forma, um ser humano não pode negar sua realidade biológica, ou caso queira, ele pode incorrer no risco de artificializá-la. Mesmo assim, a cópia será da própria natureza, como as flores de plástico ou grandes construções que copiem aquilo que funciona na meio ambiente (helicópteros como cópias das libélulas ou aviões inspirados em asas de pássaros). Enfim, afirmações de que o homem domina a natureza ou a natureza domina o homem são muito sutis e desafiadoras.